UE acolheu 4,3 milhões de ucranianos, mas agora corta subsídios e força homens em idade militar a voltar para a guerra.
Junte-se a nós no Telegram , X e VK .
Escreva para nós: info@strategic-culture.su
Introdução: Da “ solidariedade” à estratégia
Quando a Rússia entrou pela primeira vez na Ucrânia, em fevereiro de 2022, a União Europeia reagiu com uma velocidade e generosidade sem precedentes na história do bloco. Sabendo o que sabemos hoje sobre o Frontex, os biliões que os europeus pagam para serem construídos autênticos campos de concentração, nos países periféricos da União Europeia, ou o que sabemos sobre a forma como os povos europeus tendem a tratar os imigrantes que aí procuram refúgio económico, poderíamos ser levados ao engano.
O que se teria passado desta vez? Uns especularam com a cor da pele, os cabelos loiros e os olhos azuis e outros, ainda, encantados com a beleza feminina consagrada das eslavas, mas nada disso valeu noutras situações em que a NATO, EUA e EU, o Ocidente, decidiram mover o seu poderio bélico contra populações consideradas menores ou passíveis de uma certa necessidade de disciplina. Nomeadamente no caso da Jugoslávia e, até hoje, da Sérvia. Afinal, de que se fez esta “generosidade” ocidental, tão excepcional como desconcertante, que conduziu à activação quase imediata da Directiva de Protecção Temporária – um mecanismo que havia sido criado após as guerras dos Balcãs, mas nunca utilizado? Teria dado uma epifania de remorso? Um surto de autoconsciência?
Foram milhões os cidadãos ucranianos que foram acolhidos com direito a residência, trabalho, assistência social e à saúde. Tudo o que se discute não poder ser garantido aos imigrantes com pele curtida pelo sol mediterrânico, aceitou dar-se aos refugiados ucranianos. Sem desdém algum pela solidariedade que é movida na direcção de quem foge da guerra, a verdade é que foi chocante ver esta verdadeira tentativa de whitewashing (branqueamento) histórico, ter origem precisamente em quem estava por detrás da eclosão do conflito, por quem sempre negou tal solidariedade a povos como o palestino, líbio, sírio ou iraquiano, igualmente vítimas da lógica de agressão da NATO, dos EUA e da sua extensão europeia.
Neste caso era diferente! Estava do lado de lá o papão russo, estava Vladimir Putin, elevado a pior ditador da história humana, esquecida que estava a Europa Ocidental de ter parido gente como Hitler ou Mussolini, tão olvidados quanto alvos de processos de branqueamento histórico e de uma reescrita revisionista, que visou comparar quem mais combateu e foi vítima do nazi-fascismo, a seu igual.
Também podemos dizer que a Federação Russa recebeu milhões de ucranianos. É certo! Mas esta recepção estava longe de ser excepcional ou inesperada. Afinal, a Federação Russa sempre alegou que uma das razões para a intervenção na Ucrânia se relacionava com a necessidade de defender os povos russófonos da Ucrânia. Acresce que todos sabíamos que a ansiedade de intervenção no Donbass já há muito que era transmitida pelas forças populares ao Kremlin, para que este parasse o massacre de russos. Para o povo Russo, esta guerra é uma guerra pelo mundo russo, pela sua língua, religião e cultura. Pelo seu direito a existir. Algo que o Ocidente não consegue aceitar.
I. Os números que contam a história
Segundo dados do Centro de Estratégia Económica da Ucrânia, até novembro de 2024, 5,2 milhões de refugiados ucranianos permaneciam no estrangeiro. Destes, 3,7 milhões saíram pela fronteira ocidental, rumo à Europa. Através da Rússia ou Bielorrússia, estima-se que tenham saído cerca de 239 mil pessoas. Outros 1,3 milhões, segundo a ONU, tornaram-se refugiados na própria Rússia ou Bielorrússia.
Se a Ucrânia estava dividida, grosso modo, em 1/3 de falantes de ucraniano, 1/3 de falantes de uma mistura de russo e ucraniano e 1/3 de falantes de russo, perante a abertura das fronteiras russas, seria de esperar uma fuga em massa em tal direcção. A não ser que a UE abrisse também as suas fronteiras. Aí, prevaleceria o sonho europeu que quase destruiu a Federação Russa, que havia destruído a URSS e que ameaça agora destruir a Ucrânia. Nunca queiras pertencer a quem te acha inferior!
Podemos dizer que esta boa vontade da UE funcionou como um contrapoder concorrencial à natural e expectável abertura da Rússia. Lá no fundo, a UE sabia que muitos ucranianos não olhavam para a Federação Russa como um inimigo, mas como parte do seu mundo. A quantidade de ucranianos do centro – para não falar do Donbass – que possuíam algum tipo de ligação à federação Russa, era muito elevada. Nesse sentido, a UE não poderia arriscar-se a deixar tais populações terem na Federação Russa a sua única possibilidade de destino de fuga.
Esta atitude demonstra que, bem lá no fundo e sem nunca o admitir, a UE sabia bem que o regime de Kiev não liderava uma luta popular contra a Federação Russa. Nesse sentido, a UE foi forçada a agir perante a previsível fuga em massa das populações. No pico, terão fugido 16 milhões de ucranianos das suas casas!
Foi nesta fase que foi muito importante o financiamento dos EUA, EU e Reino Unido aos órgãos de comunicação de massas de Kiev e do ocidente, para que produzissem notícias que: 1. Convencessem os europeus a aceitar esta súbita vaga migratória, como algo honorável e moralmente imperioso, mitigando assim os ataques aos refugiados perpetrados em toda a EU, e não somente a migrantes do sul global – vejam-se os casos de perseguição de imigrantes portugueses na Irlanda; 2. Convencessem os ucranianos mais indecisos quanto ao destino da fuga de que, na UE, iriam encontrar vida fácil.
Tudo isto teve como epílogo a fuga da esmagadora maioria dos ucranianos para o Ocidente e não para o Leste. A verdade é que foi muito difícil à Federação Russa competir com o “apelo europeu”. A UE oferecia direitos, subsídios, emprego, escolas para as crianças, acesso à saúde, ao passo que a Federação Russa apenas oferecia uma Rússia denegrida e desumanizada por anos de má imprensa estratégica. A proposta era demasiado atractiva e mesmo muitos ucranianos russófonos acabaram por sucumbir ao apelo.
A “obviedade” com que muitos ucranianos viram a salvação a Ocidente e a aparente “racionalidade” da decisão, motivada pela política excepcional de “braços abertos” a refugiados, afinal, poderão ter escondido uma forma de fazer a guerra por outros meios. O tempo haveria de dar razão a quem assim pensou. O que escondia, então, esta súbita e excepcional política de “braços abertos” a “refugiados” ucranianos, muitos deles demasiado longe dos territórios em disputa, à data da decisão?
II. A UE Acolhe – Mas Controla
A Diretiva de Proteção Temporária, ativada em março de 2022, concedeu, a mais de 4,3 milhões de ucranianos, um estatuto legal na UE. A Alemanha acolheu cerca de 1,8 milhões, a Polónia quase 1 milhão, a Chéquia cerca de 380 mil. Países com governos supremacistas e conhecidos pelas respectivas posições xenófobas, neofascistas e “eslavófobas”, foram os que mais abriram os braços. O resultado de tal decisão e a forma como as suas populações a viram estão à vista com o crescimento – e chegada ao poder – da extrema-direita. Mesmo que, no caso alemão, essa extrema-direita se chame CDU – como em Portugal já vimos que também pode responder pelo nome de PSD/CDS.
O facto é que, comprovando a artificialidade do estatuto, o mesmo veio acompanhado de uma característica fundamental: o seu carácter temporário, perene, precário! Tal protecção foi sendo sucessivamente prorrogada – em outubro de 2023, junho de 2024 ou julho de 2025 –, mas sempre com a ressalva de que um dia terminaria. A promessa era simples: quando terminasse, os “refugiados” teriam de regressar ou transitar para outro estatuto legal disponível (trabalho, estudo, reagrupamento familiar).
Mas foi em setembro de 2025 que o Conselho da UE confirmou as suas reais pretensões, adoptando uma recomendação sobre a “transição para fora da protecção temporária”, na qual foi estabelecido um quadro comum para o regresso à Ucrânia e reintegração dos deslocados ucranianos. Acabava aqui o sonho europeu! Afinal não era para ficar, nem sequer sob a forma de outro estatuto! De cada vez mais aberta, a União Europeia foi revelando que não passava de uma espécie de bolsa de arrumação, na qual seriam guardados, temporariamente, os recursos humanos a disponibilizar consoante as necessidades do esforço de guerra.
Enquanto empurrava a Ucrânia como se de uma bola de bowling se tratasse, a UE guardava na sua bolsa os activos humanos que mais tarde poderia utilizar. Talvez no sentido da preparação de um quadro mental para os refugiados ucranianos, e para que estes não fossem apanhados de forma desprevenida com o encerramento do sonho europeu, lá foram desfilando as mensagens políticas, cada vez menos veladas: o ministro dinamarquês Kaare Dybvad Bek afirmou, à data, que o plano visava garantir um regresso “gradual e sustentável”. Já não se falava de trabalho, educação ou criação de laços familiares. A tónica passou a estar cada vez mais no regresso. Pode dizer-se que também aqui a EU abriu os cordões à bolsa.
Tenho pena de quem acreditou que a Ucrânia havia sido apanhada desprevenida com a “Operação Militar Especial”. Tenho pena de quem pensou que a intervenção da UE havia sido espontânea e inesperada. O documento da RAND Corporation “Extending Russia” demonstra bem há quanto tempo se preparava esta intervenção. O facto de Ângela Merkel e François Hollande virem assumir que os acordos de Minsk serviram para ganhar tempo à Rússia e para militarizar a Ucrânia, também demonstra que esta realidade nada tem de inesperada. Apenas os Ucranianos terão sido apanhados de surpresa, mas a UE sabia que estes milhões de pessoas não ficariam para sempre e que, entre eles, havia centenas de milhares de homens e mulheres em idade militar.
III. Os cortes progressivos: da generosidade à pressão e à resposta de Kiev
Foi, portanto, sem surpresa que assistimos às mudanças, que foram sucedendo de forma gradual, subreptícia, insidiosa e tremendamente cínica para o povo ucraniano, especialmente aqueles que pensaram estar protegidos pelo Ocidente. Hoje, estão prestes a pagar bem caro pela decisão que haviam tomado.
Não obstante os avisos e apelos, a população ucraniana refugiada insistia em não arredar pé. Mas, para forçar a sua mão e impedir a entrada de mais refugiados, em novembro de 2025, o governo alemão aprovou um projeto de lei para reduzir os subsídios aos ucranianos que chegassem após 1 de abril de 2025. Em vez de receberem o Bürgergeld (563€ para um adulto solteiro), passariam a receber o valor do sistema de asilo (441€), cerca de 20% menos do que o inicial. O acesso à saúde também foi igualmente restringido: apenas passaram a estar comportados os cuidados essenciais e não o sistema estatutário completo. Os Ucranianos começavam a saber o que significava ser estrangeiro no Ocidente. O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, foi explícito: se não houver esforço para encontrar emprego, “seguir-se-ão mais cortes nos pagamentos”.
Já na Polónia, o apoio financeiro a famílias que acolhiam refugiados (40 PLN/dia) e o subsídio de instalação (300 PLN) foram descontinuados logo em julho de 2024. Nessa data, os refugiados ucranianos passaram a ser “encorajados” a tornarem-se economicamente autónomos. Na Irlanda, também desde 2024 que os pagamentos semanais a refugiados alojados pelo Estado haviam sido cortados, com o argumento de que “o alojamento em si cobre parte das necessidades básicas”. Por fim, na Hungria, decidiu-se mesmo pelo cancelamento do alojamento financiado pelo Estado para refugiados provenientes de zonas ocidentais da Ucrânia, agora consideradas “seguras”. “Seguras” quanto aos russos! Mas… E quanto aos títeres do TCC?
A mensagem era clara: a porta está a fechar-se. É hora de irem embora! Algo que vinha a calhar perante os repetidos esforços de Kiev para que os países europeus forçassem os ucranianos em idade militar a voltarem, nem que fosse à bruta, tal o amor que o regime por eles nutre!
Foi também nesta fase que a Ucrânia tentou recrutar a sua diáspora. Em 2025, o governo implementou reformas para tornar o serviço militar mais atractivo: contratos a prazo (1-5 anos), aumento dos salários base (de 50-60 mil UAH), bónus de alistamento e a possibilidade de escolher a brigada.
Como era previsível, os resultados foram muito magros. Nem a elevada taxa de emprego entre refugiados na Alemanha (que subiu de 30% para 51% desde 2024) beneficiou o recrutamento. Mesmo despidos de apoios sociais, os refugiados ucranianos continuaram a preferir a exploração ocidental à morte ucraniana. Embora na Polónia a taxa de emprego fosse ainda mais alta (acima de 70%), tal não se traduziu em recrutamento militar. Mas esta sucessão de políticas, num lado e do outro do campo ocidental, ajudaria a evidenciar a existência de uma coordenação profunda no sentido da utilização dos refugiados ucranianos como carne para canhão de Kiev, da EU, NATO e EUA.
IV. A Crise de mão-de-obra militar e a “busificação”
Mas nada parecia funcionar. O apelo patriótico era quase inexistente, num país muito recente e marcado pela divisão étnica e a artificialidade histórica. Nem o revisionismo levado pela USAID e ensinado, especialmente desde a revolução laranja, nas escolas básicas, parece ter sido decisivo para conferir tal profundidade patriótica a muitos dos ucranianos. Segundo o Centro de Estudos OSW, na Ucrânia, apenas cerca de 200 mil pessoas foram recrutadas em 2024 – um número insuficiente para manter as unidades de linha da frente. Nem o recurso a africanos, sul-americanos (originários de cartéis de droga que vêm aprender à Ucrânia), membros do Estado Islâmico, polacos, norte-americanos ou canadianos foi suficiente para combater a degradação da frente.
A resposta do regime de Kiev consistiu no endurecimento brutal da conscrição, à moda nazi e à moda dos regimes que usam as populações para os seus intentos. Esta é talvez a grande diferença para o que sucede quando as populações sentem que a agressão é real, visando o seu mundo e a sua existência. Nesses casos, as populações envolvem-se na luta porque a luta de libertação é uma luta popular. No Irão, as pessoas unem-se cada vez mais face à agressão dos EUA/Israel/Golfo; na Rússia nunca estiveram tão unidas desde a guerra patriótica; em Cuba, exceptuando uma minoria, nem o medieval e prolongado cerco genocida demove aquele povo; em Gaza e na Palestina poucos arredam pé; e na Coreia do Norte, a resistência tenaz começa agora a dar frutos económicos e sociais. No Vietname, em Angola, Moçambique, Guiné e Cabo Verde, a luta de libertação contra o agressor envolveu os povos e a luta popular. Na Ucrânia, o povo foge! Esta guerra não é sua!
O facto é que, em 2014, quando o Donbass se revoltou contra o golpe de Maidan, os habitantes da região defenderam o seu mundo – muitos voluntariamente. Do lado de Kiev, a história foi diferente. A mobilização enfrentou sempre resistência. Por muito que a imprensa internacional, nas mãos dos EUA e do sionismo, esconda fenómenos amplamente documentados como o da “busificação”, das redes de traficantes que ajudam a atravessar a fronteira (120 funcionários detidos em 2024, 61 acusações, subornos de 11,4 milhões de hryvnias), dos 290 mil processos por deserção ou dos 2 milhões de evadidos do recrutamento, tudo isto aponta para uma guerra que não é popular, pelo menos não do lado ucraniano. A excepção desta regra são as forças mais agressivas e de extrema-direita – os Azov, o Aidar, e outros grupos neonazis. Estes, sim, querem a guerra. Tal como Zelensky, tal como a NATO.
À falta de uma verdadeira luta popular de libertação, Kiev foi obrigado a prosseguir o caminho dos que usam os trabalhadores para alimentar as guerras dos ricos, o que diz muito da natureza intrínseca do regime. A Lei de Mobilização de 2024 (Lei nº 3633-IX), entrada em vigor a 18 de maio de 2024, baixou a idade de mobilização de 27 para 25 anos, introduzindo um registo militar digital obrigatório (Oberih), apertando as isenções. Gente quase idosa e alguns com deficiências foram vistos no campo de batalha. Hoje, depois do alargamento às mulheres, já se fala da redução da conscrição obrigatória para os 18 anos.
O elemento mais revelador desta realidade consiste no fenómeno da “busificação” – o termo ucraniano para descrever a detenção violenta de homens na rua, em restaurantes, em discotecas e o seu transporte forçado para centros de recrutamento. O Responsible Statecraft documentou dezenas de incidentes, incluindo homens que morreram antes mesmo de vestir o uniforme. Hitler mandou fazer o mesmo, face à resistência dos alemães em continuarem a enfrentar a sua guerra imperialista. No final, Hitler culpou o povo alemão. Zelensky fará o mesmo! É assim que se comporta quem não vive com o povo, entre o povo, como o povo!
A situação é tão grave que, segundo o Ministério da Defesa ucraniano, cerca de 2 milhões de cidadãos estão evadidos do serviço militar, a maioria no estrangeiro. Até maio de 2025, 45 mil pessoas tinham deixado o país ilegalmente para escapar à conscrição, e outras 30 mil foram detidas na fronteira. Foram interpostos processos por deserção contra 290 mil indivíduos.
V. Os homens no estrangeiro: a cartada consular
Para responder a esta crise, em coordenação com a União Europeia, Kiev tornou-se ainda mais incisivo e, ainda em abril de 2024, decidiu acompanhar todas as pressões existentes com a decisão de suspensão dos serviços consulares para todos os homens em idade militar (18-60 anos) no estrangeiro. Foi cortado o acesso ao passaporte, certidões e aos documentos essenciais de natureza oficial. Não havia nada que Kiev não jogasse para ter esta gente de volta… Para a morte!
A mensagem foi clara: regista-te no exército ou ficas sem documentos . O objectivo é claro: tornar-lhes a vida insustentável até que o retorno seja a única opção.
VI. A UE alinha-se: excluir os homens em idade militar
Quem pensou que a EU dos “princípios e dos valores” viria em sua defesa deveria ter fugido noutra direcção. Em junho de 2026, a notícia saltou para a imprensa: a UE estava a considerar excluir os homens ucranianos em idade de conscrição (23-60 anos) da protecção temporária. Tal proposta ganhou força numa reunião de ministros do Interior em Luxemburgo. O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, confirmou: “Notámos que o influxo de pessoas em idade de serviço militar obrigatório aumentou nos últimos meses.” Ficava bem claro o que esta EU entende por “defender o povo Ucraniano”.
Entretanto, a Bélgica passou a exigir prova de saída legal da Ucrânia para conceder protecção e a Polónia, por outro lado, continua a conceder protecção a quem chega ao seu território, mas têm surgido alguns sinais de alteração vindos de Varsóvia, nomeadamente após a fantástica descoberta, pelo regime polaco, de que em Kiev nazis genocidas são idolatrados como heróis. Por pressão das suas populações, as autoridades polacas não mais puderam fechar os olhos a tal imoralidade.
Zelensky, por seu lado, tem sido claro: os homens em idade militar que deixaram o país “deveriam regressar”, e pediu aos países parceiros que “tratassem da questão”. A UE, que em 2022 abriu as portas a todos, passou agora a seleccionar quem pode ficar e quem deve voltar. E quem deve voltar são, precisamente, os homens que podem encher as fileiras da morte, corpos que serão inevitavelmente abandonados no campo de batalha, deixados aos russos para congelar, para que não se paguem pensões. Alguns terão ainda menos sorte, pois ainda meio vivos ver-se-ão extirpados dos seus órgãos vitais, para que os coloquem no corpo de um qualquer oligarca gerontocrata à beira da morte, numa qualquer clínica israelita ou do golfo.
VII. A reserva “militar” estratégica
Será que a UE e a NATO planearam isto desde o início? É impossível provar uma intenção conspiratória. Mas o resultado material é o mesmo, caso o tivessem planeado:
- Abram as portas a milhões de ucranianos, atraídos pelo apelo europeu.
- Mantenham-nos no território com protecção temporária, subsídios e direitos.
- Quando a guerra se arrastar e a Ucrânia precisar de homens, cortem os subsídios, restrinjam os direitos, suspendam ou caduquem os documentos.
- Forcem o regresso – não por deportação directa, mas por tornar a estadia insustentável.
- Entreguem os homens às forças armadas ucranianas.
No fundo, a UE guardou consigo um exército laboral (de mão de obra militar) de reserva, pronto a ser explorado em caso de necessidade. Tal reserva estratégica, não apenas defraudou todos os refugiados que pensaram encontrar protecção na EU, como conduziu a que o regime de Kiev desprezasse ainda mais profundamente a vida dos seus soldados, certo de que, quando a crise viesse, contaria com a “boa” vontade dos seus perceptores europeus para mobilizarem, à força, como fazem os fascistas, os ucranianos que para a EU se tinham dirigido, fugindo da guerra e à procura da paz.
A UE, dos governos que prometem uma coisa e fazem outra, deu do seu veneno ao povo ucraniano. Agora, chegou a hora de o libertarem, até que nenhum reste às mãos dos seus algozes!
Fontes e links
- Centro de Estratégia Económica da Ucrânia: “Ukrainian Refugees After Three Years Abroad (2026)” – https://ces.org.ua/en/refugees-fourth-wave/
- OSW (Centro de Estudos Orientais “Army at a crossroads: the mobilisation and organisational crisis of the Defence Forces of Ukraine (2025)” – https://www.osw.waw.pl/en/publikacje/osw-commentary/2025-03-14/army-a-crossroads-mobilisation-and-organisational-crisis
- OSW: “Ukrainian Armed Forces pin hopes on foreign recruits (2026)” – https://www.osw.waw.pl/en/publikacje/analyses/2026-06-15/ukrainian-armed-forces-pin-hopes-foreign-recruits
- OSW: “Germany is cutting benefits for refugees from Ukraine (2025)” – https://www.osw.waw.pl/en/publikacje/analyses/2025-11-20/germany-cutting-benefits-refugees-ukraine
- Responsible Statecraft: “Ukraine’s ‘Busification’ – forced conscription – is tip of the iceberg (2025)” – https://responsiblestatecraft.org/ukraine-recruitment-army/
- SCEEUS: “The Ukrainian Mobilization Challenge: Military and Society During Full-Scale War (2025)” – https://sceeus.se/en/publications/the-ukrainian-mobilization-challenge-military-and-society-during-full-scale-war/
- NPR: “Ukraine cancels its consular services for all military-aged men living abroad (2024)” – https://www.npr.org/2024/05/03/1248863422/ukraine-cancels-its-consular-services-for-all-military-aged-men-living-abroad
- The Washington Post: “Ukraine moves to cut off consular services for military-age men abroad (2024)” – https://www.washingtonpost.com/world/2024/04/23/ukraine-consular-services-men-abroad/
- Euronews: “EU considers tightening protections for military-age Ukrainians (2026)” – https://www.euronews.com/2026/06/04/eu-considers-tightening-protections-for-military-age-ukrainians
- Euractiv: “EU may exclude military-age Ukrainian men from protection scheme (2026)” – https://www.euractiv.com/news/exclusive-eu-weighs-excluding-military-age-ukrainian-men-from-extended-protection-scheme/
- Euronews: “EU to extend protection for Ukrainian refugees and plan for post-war returns (2025)” – https://www.euronews.com/my-europe/2025/06/04/eu-to-extend-protection-for-ukrainian-refugees-and-plan-for-post-war-returns
- Conselho da UE: “Protection of displaced Ukrainians: Council adopts recommendation about transition out of temporary protection (2025)” – https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2025/09/16/protection-of-displaced-ukrainians-council-adopts-recommendation-about-transition-out-of-temporary-protection/
- Euronews: “Refugee allowance and rent compensation: Here’s how benefits for Ukrainians are changing in Europe (2025)” – https://www.euronews.com/my-europe/2025/04/24/refugee-allowance-and-rent-compensation-heres-how-benefits-for-ukrainians-are-changing-in-europe
- InfoMigrants: “Germany: Reduced benefits for Ukrainians who arrived after 31 March 2025 (2026)” – https://www.infomigrants.net/en/post/69240/germany-reduced-benefits-for-ukrainians-who-arrived-after-31-march-2025
- Frontliner: “Ukrainian refugees in Europe: what to expect in 2026 (2026)” – https://frontliner.ua/en/support-for-ukrainian-refugees-in-the-eu/
- ICMPD: “Policy Brief on Ukrainian Refugees (2025)” – https://research.icmpd.org/wp-content/uploads/2025/02/INTAKE-Policy-Brief-Final_10062025_EN.pdf
- UK Government (CPIN “Country policy and information note: military service, Ukraine (2025)” – https://www.gov.uk/government/publications/ukraine-country-policy-and-information-notes/country-policy-and-information-note-military-service-ukraine-june-2022-accessible
- Danish Immigration Service: “Ukraine: Mobilisation, Entry and Exit (2026)” – https://us.dk/media/1lfhoulf/ukraine-mobiliseringentryexitfinal.pdf
- The Loop (ECPR “Ukraine is conscripting its citizens abroad. Is that strictly legal? (2024)” – https://theloop.ecpr.eu/ukraine-is-conscripting-its-citizens-abroad-is-that-strictly-legal/
- Hromada Network: “Return to fight or lose your passport (2024)” – https://hromada.network/the-new-ukrainian-mobilization-act/
- OECD: “Ukraine’s Strategic Response to the Displacement Crisis (2026)” – https://www.oecd.org/en/publications/ukraine-s-strategic-response-to-the-displacement-crisis_9b773da4-en/full-report/ukrainian-migration-and-displacement-crisis-in-numbers_84aa775c.html
- People in Need: “Ukrainian refugee crisis: the current situation (2025)” – https://www.peopleinneed.net/the-ukrainian-refugee-crisis-current-situation-9539gp
- UNHCR Poland: “Situation Report (2025)” – https://www.unhcr.org/pl/sites/pl/files/legacy-pdf/Poland-Situation-2025-RRP-Final_EN.pdf
- AIDA Poland: “Temporary Protection Poland (2025)” – https://asylumineurope.org/wp-content/uploads/2025/07/AIDA-PL_Temporary-Protection_2024.pdf
- Third Country Deportation Watch: “Poland (2026)” – https://www.thirdcountrydeportationwatch.org/poland
- RF Berlin: “The Refugee Population in Europe in 2025 (2026)” – https://www.rfberlin.com/cream-report/05-2026/
- Ukrainska Pravda: “Germany to cut payments to Ukrainian refugees (2025)” – https://www.pravda.com.ua/eng/news/2025/11/18/8007777/
- ETIAS: “EU Sets Path for Ukrainian Refugees’ Transition Period Beyond 2027 Protection (2025)” – https://etias.com/articles/eu-sets-path-for-ukrainian-refugees%E2%80%99-transition-period-beyond-2027-protection
- Euronews: “Could military-age Ukrainian men lose temporary protection status in Germany? (2026)” – https://www.euronews.com/my-europe/2026/07/07/could-military-age-ukrainian-men-lose-temporary-protection-status-in-germany
A reserva «militar» estratégica que a União Europeia construiu para Kiev
Aggregated summary from an independent source.
Read the original at StrategicCulture.